3 de jul. de 2012

Sentimento embriagado



No passeio de ruas maquiadas
a fome despercebida
ronca em sombras de palácios
esfriando papelões

Burgueses
Franceses
pagando moças na avenida
e ainda é 1956

Descalços artistas,
pintores e equilibristas
lazeram água e pouca comida
Abastecem cascas na barriga

Sujeira no telhado
Lentes de aumento sentimental
faltando no mercado
Engraxates de sapatos

A dolência uiva as noites
de inverno
Damas de um lado desfilando rosas
e cavalheiros de terno

Incalculáveis valas profundas
candeeiros
catacumbas
mulheres imundas!

Vinga ali na lama os
ossos daquele velho
alimentando cães abandonados
Políticos disfarçados

Automóveis blindados
Imagine em 2034
este poema aqui será amassado
e os poetas serão presos embriagados de tristeza...


1 de jul. de 2012

Poeta de mim


Que dor
que dor ardida
Um eito de pedras
lançaram na minha janela!

Rasgou,
rasgou minha ferida
Fiquei doente
e fui beber água
salgada...

Curei-me silente,
do concreto de veludo
Virei poeta de mim
e carrego nos poemas
toda dor do mundo!


26 de jun. de 2012

Essência


Sou vacinada contra a estupidez...
Outros,
amantes da intolerância
tomaram a pílula da ignorância!
As pessoas estão
tão reprimidas
que a ternura incomoda
e amor já exala desconfiança
Essa é a injusta
essência
da  existência

Ei vida que só celebra a beleza,
aqui vai uma chamada de
transparência:
-Alô, sou eu, a velhice
a doença...


18 de jun. de 2012

Herdeira da flor


Eu sou filha do ventre
de lírios casados
descansados da minha voz

Sou do seio que palpita no campo,
saudosa flor que respira
Sou derramada do leite
alvacento que me inspira

Sou filha dos olhos
apagados de escamas defeituosas,
herdeira da cegueira
sinuosa

E desta flor, sou rabisco
perfeito
Escuto e vejo!

Sou filha da filha de índio
e esguardo gênios
engenhos de filhos
enternecidos

Sou da flor que me pariu,
lírios da estátua audição
São encantadores da arte
e proliferadores da minha perfeição










''Poema dedicado aos meus pais''