17 de jan. de 2012

La beauté de La Joconde



Tapete vermelho, fotografias, 
um tropel de falas e, 
a madeira de álamo expondo a pintura...


Olhos nus, hermética.
Não há concreto na tua história,
só o abstrato na memória...


Aviventam a incógnita do teu corpo-figura,
das cores extintas
do lugarejo em que se pendura.


O código ressaltado,
como quem pincela a minha face
no espelho... 


Entro em transe!


Vejo-me com um belo vestido
de Visconti-sforza 1489
E assemelho o senhor da portaria do
museu do Louvre, ''o barba branca''


Desfaleço do século XXI 
e descubro o segredo do teu
sorriso monalístico
imperceptível aos olhos que o mundo esguarda!





11 de jan. de 2012

Amanse, oh rosa fria...



A língua que escarnece,
moteja, maltrata,
tende a ter alma vaga.
E vaga!
Sê sábio, oh rosa perigosa,
e sangre a tua dor de não amar ninguém,
ao invés de sangrar o coração do bem!
Ai te arrancarão espinhos, e te darão beijinhos até sarar...

13 de dez. de 2011

Recôndito



Há jardim em Júpiter,
sim, há goiabeiras rosadas
como a pele de Afrodite.


E este mundo subterrâneo
com trilhas vagas
de memórias de orvalho.


Sonhei a me dar vertigem 
da face que nem vi.
A beleza do deus que não penetra em meus olhos.


Pesadelo infindo
ao que tudo aprendi.
Não acreditei na beleza surreal.


Alado, ele me conduzia
com a brisa, e me enfeitava noiva
do teu olhar recôndito.


E minha curiosidade inata
despertou-me a vontade
de assassinar a lei que me deste.


Tinha de acreditar
nas flores que me tinha sem vê-las,
através dos cheiros e dos espinhos.


Amar a face que não via era um desafio.


A lenda grega forçou-me
a rasgar tua máscara, oh Eros...
E eu Psique, desorientei o nosso amor aos ventos.



1 de dez. de 2011

Malditas pedras



Lá vem um barco tresvariando
o horizonte -
Calhau em confusão a um meteoro
brilhante.


Da amplidão solitária,
o pirata em remanso,
descansa ao tentar caçar
rosas do mar.


O oceano ri poeticamente
da face pobre que ali procede-
Içar velas sem velejar !


É que a ganância assassinou-lhe o roseiral;
Envelheceu o coqueiral e,
despertou-lhe a sede!


É que a ganância lhe abrochou sossego...
Este ai, vagando no leito de madeira
cansada, sem rumo, sem nada!


Lá vem um barco delirando o horizonte...
Sem os remos e amontoados de
diamantes.