10 de jul. de 2012

Ai do mar


Terra verde chora,
eterna solidão sólida
Sinto a pedra partir
desde a dor do parir

Quando nasci nasceu
a rosa rara de ver
Ninguém espetei!
Eu cresci,

pés no chão, sete pedras
lâminas agressivas 
desastres, explosões
diamantes e vulcões

Ah, meu amigo
corremos perigo desde já
Ai da terra e do mar
Um tobogã cuspindo chumbo

É ferida, há feridos!
E não fugimos do mundo,
dos falsos amigos
Extinção de línguas

Saudosa tribo, caçadores e índios
Retina do meu oceano
aprendi a amar porque foi a dor,
foi a dor que me deu o amor!


3 de jul. de 2012

Sentimento embriagado



No passeio de ruas maquiadas
a fome despercebida
ronca em sombras de palácios
esfriando papelões

Burgueses
Franceses
pagando moças na avenida
e ainda é 1956

Descalços artistas,
pintores e equilibristas
lazeram água e pouca comida
Abastecem cascas na barriga

Sujeira no telhado
Lentes de aumento sentimental
faltando no mercado
Engraxates de sapatos

A dolência uiva as noites
de inverno
Damas de um lado desfilando rosas
e cavalheiros de terno

Incalculáveis valas profundas
candeeiros
catacumbas
mulheres imundas!

Vinga ali na lama os
ossos daquele velho
alimentando cães abandonados
Políticos disfarçados

Automóveis blindados
Imagine em 2034
este poema aqui será amassado
e os poetas serão presos embriagados de tristeza...


1 de jul. de 2012

Poeta de mim


Que dor
que dor ardida
Um eito de pedras
lançaram na minha janela!

Rasgou,
rasgou minha ferida
Fiquei doente
e fui beber água
salgada...

Curei-me silente,
do concreto de veludo
Virei poeta de mim
e carrego nos poemas
toda dor do mundo!


26 de jun. de 2012

Essência


Sou vacinada contra a estupidez...
Outros,
amantes da intolerância
tomaram a pílula da ignorância!
As pessoas estão
tão reprimidas
que a ternura incomoda
e amor já exala desconfiança
Essa é a injusta
essência
da  existência

Ei vida que só celebra a beleza,
aqui vai uma chamada de
transparência:
-Alô, sou eu, a velhice
a doença...